Em primeiro lugar, acredito que um PP deve ser relevante tanto do ponto de vista acadêmico (nosso foco) como pessoal. Um PP academicamente relevante é aquele que pode trazer alguma contribuição para a ampliação do conhecimento existente. Essa contribuição pode ser inédita ou apenas um novo olhar sobre um determinado objeto de estudo. Muitos PP buscam resolver questões que já receberam atenção no campo científico. O que irá diferenciar um determinado PP de outro semelhante é a abordagem, o recorte, o viés adotado. Dessa forma, muitos estudantes podem trabalhar com uma dada problemática, porém o olhar sobre o objeto será diferenciado.
Do ponto de vista pessoal, um PP relevante é aquele que nos instiga, que dá vontade de vê-lo resolvido, que nos dá prazer em pesquisar. Em outras palavras, é aquele que aborda um tema que a gente gosta de estudar. O tema e, consequentemente, o PP devem representar algo para nós, ter um significado. Assim, a tarefa muitas vezes árdua de realizar uma pesquisa pode tornar-se mais leve, agradável, interessante e - por que não? - emocionante. Ele atende às necessidades do nosso eu.
Continuando, um PP deve ser claro e objetivo. A clareza deve estar presente tanto na forma de apresentar o problema (composição da pergunta) como na operacionalização do tema ou dos conceitos que serão abordados. Em relação ao primeiro aspecto, questões como a ordem da palavras empregadas (sintaxe) e os pronomes interrogativos mais adequados podem influenciar na compreensão do problema. Sobre o segundo aspecto, quando alguém está elaborando um PP e não entende sobre o que quer pesquisar (o que é muito comum, pois não dominamos todos os assuntos), é provável que o PP reflita isso. Logo, a nossa própria compreensão do tema é importante para a formulação do problema e o entendimento do leitor.
Um PP também precisa ter foco e é aí que entra a objetividade. O problema deve ser objetivo no sentindo de não deixar dúvidas sobre o que se propõem a solucionar. Deve ter um foco preciso que ajude a conduzir a investigação. Em algumas pesquisas de caráter exploratório, o problema é delineado em uma etapa mais avançada da investigação por exigência do próprio objeto de estudo, mas em geral deve ser elaborado durante o planejamento da pesquisa.
Um último aspecto que gostaria de comentar é sobre os limites do PP. Delimitar um problema não é uma tarefa fácil. Todas as decisões tomadas na elaboração do problema terão um impacto na configuração da pesquisa e nos resultados que serão obtidos. Desse modo, é preciso que o problema esteja bem situado no tempo e no espaço. É preciso definir qual será o seu alcance.
Problemas muito amplos podem inviabilizar a pesquisa. Nesse sentido, o PP deve ser específico o suficiente para que possa ser resolvido no tempo estipulado para a realização do trabalho e sob as condições que se apresentarem. Esse definitivamente não é um momento para tentar resolver os PP mais complicados. Algumas vezes são necessários alguns ajustes nos elementos que compõem o problema. Essa necessidade pode ser percebida logo no início ou durante o processo de pesquisa. Há que se ter cuidado, contudo, com PP muito restritos, que não dariam um bom "caldo" e que poderiam ser respondidos sem a necessidade de uma investigação.
Uma boa fonte de inspiração para a determinação de um PP é a própria literatura científica da área. Artigos, livros, capítulos de livros, trabalhos apresentados em eventos, teses, dissertações e outros tipos documentais podem informar sobre o estado da arte de um determinado tema. Buscando trabalhos similares é possível descobrir o que já foi pesquisado, como certos temas foram trabalhados e sob que enfoque. Assim, é possível encontrar um PP relevante do ponto de vista acadêmico o e avançar no conhecimento sobre o assunto.
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O trabalho Como elaborar um problema de pesquisa aceitável do ponto de vista acadêmico de Maurício de Vargas Corrêa está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial 4.0 Internacional.